



:: A lenda ::
“Até as pedras que podem corar os olhos impudicos, devassando o seu segredo de amor, declinaram amuados de encontro marcado pelo relógio do universo”
(Omir Leal Bezerra).
O amor entre o morro de Cariacica (Mochuara) e o morro da Serra (Mestre Álvaro) conseguiu, através das estrelas, um meio secreto de comunicação para perpetuar um romance interrompido. Conta-se que nas noites de natal, iluminadas por milhões de estrelas, corre no céu uma bola com radiações diamânticas do Mochuara para o Mestre Álvaro. Para quem duvidar, resta observar o céu nas noites de natal para confirmar a lenda que cerca a história do Mochuara.
:: O pássaro de fogo ::
Em tempos bem antigos, na época em que a mitologia se confundia com a história, conta-se que dois jovens de tribos rivais se conheceram e antes que soubessem de suas origens e da rivalidade que existia em suas tribos, nasceu entre eles um amor tão forte e belo como o Sol.
Ela, uma lindíssima princesa indígena, filha do poderoso cacique que ocupava uma imensa terra, onde hoje encontramos o atual município de Cariacica. Ele, um forte guerreiro de uma tribo que ocupava as terras hoje conhecida como município da Serra.
Quando esse amor chegou ao conhecimento das tribos, aumentou a rivalidade e a fúria dos caciques contra esse amor, que era incontrolável. O cacique indígena, pai da princesa, jamais aceitaria o enlace da sua querida filha, com o inimigo de seu povo, mesmo sabendo quanto era valioso o dote do noivo e da sinceridade da jura de seu amor. Em conseqüência criou-se uma barreira intransponível entre as terras das duas tribos e os jovens não podiam de maneira alguma chegar próximo dessa divisa.
Mas o amor, quando sincero e forte, é algo que ultrapassa qualquer barreira e sempre encontra um aliado. Foi o que aconteceu. Os apaixonados conseguiram a ajuda de uma ave misteriosa, que em horas determinadas, levava o casal a pequenos montes em pontos de fronteira de suas tribos, onde ambos se viam. Então a índia cantava juras de amor ao seu escolhido e ele retribuía da mesma maneira com cantigas que tocavam seus corações.
Continuaram assim, nesse amor poético e passando o tempo, combinaram uma fuga. Quando chegou ao conhecimento do cacique indígena a fuga romântica de sua filha foi o bastante para reunirem todos os sábios conselheiros da tribo e um feiticeiro, que transformou os apaixonados em pedra nos referidos locais onde se avistavam. Estes se elevaram e constituíram dois belos e lendários montes, muito importantes no litoral capixaba, que conhecemos como: MOCHUARA, a princesa, em Cariacica, e o MESTRE ÁLVARO, o príncipe, na Serra. Porém, uma fada compadecida de um destino tão cruel, concedeu uma trégua aos enamorados, na rigidez de suas posições.
Uma vez ao ano, na passagem de São João, os jovens recuperam de forma invisível, sua forma humana e primitiva, ocasião em que fazem juras de fidelidade e presenteiam-se com ricas jóias e outros mimos, sempre com a ajuda da ave amiga, que transformada em bola de fogo é a mensageira entre os apaixonados. Levando de um para o outro as juras de amor e os presentes, que atestam a sinceridade infinita.
Assim, fica na história, segundo os entendidos, que na noite de São João, uma bola de fogo, passa no céu, e vai do MOXUARA, em Cariacica, ao MESTRE ÁLVARO, na Serra e vice versa. E continuam a VIAGEM DO FOGO, descrevendo no espaço, a ETERNIDADE DO AMOR.
Acima coloquei a lenda sobre o Mestre Álvaro e a Mochuara.Nossa caminhada foi boa e muito difícil, o sol estava escaldante, mas como sempre valeu a pena. Pelas ótimas companhias, pelas fotos, pelo banho no poção de Ramos, pelas mangas, pela natureza. Enfim por tudo. Agradeço aos amigos que partilharam esse domingo comigo, são eles: Cida, Deise, Hermes, Marcus, Helder, Simone, Ricardo, Bernardete, Kaka, Jefferson,Jadilson, Antão, Creusa, Gilma, Sui, Ingrid.

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